Páginas dedicadas

Dente-de-Leão

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Acredito que a gente veio ao mundo por um sopro.

Daqueles fortes, em que o pulmão pede emprestado um pouco de ar pro coração. Daqueles sem educação, em que pedacinhos do nosso inteiro se espalham por todo canto sem nem pedir permissão.

Deve ser por isso que, às vezes, nos vemos uns nos outros. Deve ser o encontro com o que, de nós, se perdeu no mundo. Caindo em outras cidades, outros estados. Em outros contextos. Outros abraços.

E, talvez, seja essa uma das delícias da vida: andar por aí fazendo coleção. Enchendo dessas pequenas peças o grande mosaico que é nosso coração.


Aos pedaços de mim que encontrei nesse 2015.
…..  

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Páginas dedicadas

Nuances

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Lembro de como você nos levava pra caminhar à noite antes de dormir. Lembro do medo de estar no escuro. E da segurança de estar ao seu lado.

Lembro de como você nos dizia para respirar fundo e fixar os olhos na imensidão sem foco do breu. Lembro de você falando que tudo ficaria bem. E de como tudo, depois de poucos segundos, te obedecia, e tornava-se tão visível como a lua distante lá no céu.

Foi com você que aprendi a ver o invisível. E a enxergar nuances na escuridão. Foi por você que aprendi a sentir o distante. A ver o brilho que reluz daquilo que não brilha, mas que nunca se apaga.


Feliz dia dos pais
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Páginas dedicadas

Dois Botões

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Hoje, me sinto como as flores da minha infância. Sinto a mesma dor que seus galhos sentiam quando eram alvejados pela tesoura cruel da minha avó.

Dizia ser preciso tirar as flores já bonitas. Plantá-las em outos vasos. Talvez em alguns muito distantes. Dizia que, só assim, continuariam a florir.

Hoje, então, me sinto assim: como as flores da minha avó. Sentindo a falta de um par dos seus mais belos botões. Triste por abrir mão. Mas feliz por saber que, mesmo longe, a florir eles continuarão.


À Aisha e Larissa
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Páginas dedicadas

Conchas

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Somos sobreviventes dos mesmos maremotos. Acostumados a arrebentar, com a frágil bravura de nossos corpos, as mesmas ondas. Somos aqueles que boiam tranquilos pelos mesmos mares. E que, às vezes, se deixam afundar antes das próximas encostas.

Talvez não saibamos pra que lado remaremos com nossas embarcações agora. Mas temos a certeza de que seremos, sempre, banhados pelas mesmas águas.

Porque podemos ter nos tornado ilhas distantes, mas nossos litorais são feitos da mesma areia. E abrigam as mesmas conchas. Que, juntas ao pé do ouvido ou próximas ao coração, ecoam uma melodia em comum. Uníssona. Na cadência da mais sincera amizade.


À Sabrina
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Páginas dedicadas

Atelier

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Nunca escondi que, assim como a agulha rasga o tecido, muitas vezes você me feriu ao ensinar-me os pontos que construiriam o bordado da minha vida.

A beleza. A lógica. A sequência de cada um deles. Você me mostrou que as coisas não devem ser bonitas só pela frente. Elas devem ser, principalmente, bonitas no avesso.

Talvez seja, por isso, que você tenha dito coisas que me reviraram e  fizeram-me ir ao extremo de cada nó do meu ser. Talvez seja, porque, você sempre soube que é no inverso das coisas que os pontos devem ser bem arrematados. Sem remendos. Sem lamentos.

Se costurei isso que, hoje, visto, foi porque você estava lá. Incisiva como uma agulha, fazendo a bainha do meu tecido sempre em exagero. Afiada como uma tesoura, cortando as pontas soltas das minhas linhas. Centrada como um novelo, devolvendo-me o fio da meada quando eu o perdia.

E por isso eu agradeço. Obrigado por ser minha alfaiate. Por esgarçar-me. E depois remendar-me. Por arrematar meus pontos e por-me em moldes tão exatos. Mas também me desculpe. Pelas tantas vezes que não soube apreciar a delicadeza e precisão do seu ofício. Por não ter entendido que seguramos a agulha com os mesmos dedos. Que, no fundo, somos linhas do mesmo carretel.


Àquela cuja importância, em minha vida, não se mede.
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Páginas dedicadas, Sobre o Coração

“Isso é Água”

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Acordei com o som da sua voz desaguando em meus ouvidos.

E, flutuando nas correnteza do teu timbre, percebi que a vida – aquela tarde – tinha se tornado água. Nem doce, nem amarga. Ela ficara, por alguns instantes, insípida. Incolor. Inodora.

Diante do correr das tuas páginas, vi a vida escorrer fresca pelos meus ponteiros. Regar meus sonhos. E matar minha sede de viver.


Àquele que foi oásis quando estive em meio ao deserto
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Páginas dedicadas

Atemporal

32-atemporalQueria te escrever um texto suave como o afago que você é ao coração das pessoas que te cercam.

Te escrever um texto perene. Que atravessasse o tempo. Que fosse velho. E moderno. Que fosse atemporal, como você é – e nem imagina ser.

Que fosse longo como seus abraços. E breve como a fração de segundos que demoramos pra reconhecer em seus olhos aquele pedaço que – de nós – se perdeu.

Um texto pra agradecer. Agradecer pelo almoço. Alimento para o estômago e para a alma. Agradecer por você ser florida sempre. Mesmo em domingos chuvosos que não parecem primavera.

Para Vânia Myrrha

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