Sobre o Coração

Lugares

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Com tantos lugares para me perder, me perdi em você. Com tantos pra me encontrar, me encontrei entre os teus braços.

Entre todos os sabores e cores, o amor tinha o da tua boca. E refletia a da tua pele. Entre tantas melodias, ele tocava no tom da tua voz.

Com todos os lugares para onde isso poderia me levar, me levou àquele onde escolheste não estar.

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Sobre o Coração

Entre Nós

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Hoje, o que há entre nós não comporta mais desculpas.

Porque, se me usara para preencher o vazio que em ti havia, também chorara até saciar a sede de vingança que em mim nascia.

Porque, se te negara para afirmar o orgulho que em mim crescia, também sonhara com os dias em que ti vivia.

Hoje, o que há entre nós é sem tamanho: grande demais pra um reencontro, pequena demais pra um abandono.

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Sobre o Coração

Insieme

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Você abraçou as imperfeições do meu corpo e entrelaçou-me entre seus dedos. Por um instante, senti minha alma perfeitamente liberta.

Você deitou a cabeça nas minhas costas e sussurrou-me caber no espaço onde crescem minhas asas. Por um instante, quis eu também te tomar pelas mãos e, juntos, alçar vôo.

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Sobre o Coração

Cicatriz

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Virou sonho quando acordei, encostei a minha pele na tua e, de muito perto, me vi no reflexo do escuro dos seus olhos.

Eu me vi completo. Inteiro. Me vi todo. Me vi tanto, que achei ter enxergado, pela primeira vez, a minha alma. Como se fosse parte também de você. Como se ela apenas existisse dentro da imensidão da sua.

Mas você piscou. E acabou. Você lavou, da retina, a imagem que eu tinha. E me fez enxergar a solidão em ressurreição. A cada instante mais viva e próxima. Embora estivessem seus olhos, já tão longe.

Hoje, quando te olho – mesmo que de rabo de olho – eu vejo esse corte. Eu enxergo a marca que ficou no meu coração. Que se não me matou, foi por triz. Que hoje é, entre todas, a minha favorita cicatriz.

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Páginas dedicadas, Sobre o Coração

“Isso é Água”

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Acordei com o som da sua voz desaguando em meus ouvidos.

E, flutuando nas correnteza do teu timbre, percebi que a vida – aquela tarde – tinha se tornado água. Nem doce, nem amarga. Ela ficara, por alguns instantes, insípida. Incolor. Inodora.

Diante do correr das tuas páginas, vi a vida escorrer fresca pelos meus ponteiros. Regar meus sonhos. E matar minha sede de viver.


Àquele que foi oásis quando estive em meio ao deserto
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