Sobre o Coração

Sobre o Amor – pt. 1

ncnc_sobreamorpt1Depois de muito procurar
por quem me tirasse o ar,

Acabei por encontrar
aquele que fez, em minha alma, ventilar.

Capaz de colocar
meu coração no alto, pronto para voar.

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Sobre a Vida

Ela

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Ela costumava me encontrar durante a noite. Quando o corpo sucumbia. E a mente não dormia. Quando o silêncio era, já, ensurdecedor. E o peito se enchia de tremor.
Ela não costumava me causar terror. Envolta no escuro da noite, era uma presença quase irreal. Um veneno à alma. Amargo. Mas não letal.

Até que, ontem, ela me encontrou quando era dia. Quando eu vivia. E não previa.
Até que, ontem, me escancarou. Me encarou. Se apresentou. E me assustou.

Era a Solidão. Eu a reconhecia, mesmo pensando que não a conhecia.

Ela tinha a minha cara. Me consumia com os mesmos olhos que a encaravam. E me devorava com a mesma boca que a indagava.
Me calava com meu proprio silêncio. E entorpecia meu presente e meu futuro com a toxidade do meu próprio eu.

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Sobre a Vida

Cinemática

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Padecem minhas asas de um certo mal.
Que as faz desejarem pousar, mesmo depois de terem aprendido a voar.

Sofre também meu coração de tal.
Que o faz querer se arriscar, não se importando em sangrar. Nem com o tempo que demoraria para, uma vez mais, cicatrizar.

Talvez porque a vida tenha essa aversão à inércia, afinal.
Uma incapacidade de repousar. Uma incansável necessidade de se provar. De buscar, sempre, rachaduras por onde escoar. E, do conforto da segurança, encontrar modo de escapar.

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Sobre a Vida

Contra-forma

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Beba as palavras que não eu falei. Deixe que seu corpo bóie no mar de coisas que não expressei.

Respire cada virgula que, nas frases daquela conversa, eu não coloquei. Deixe que bata em seu rosto a brisa dos suspiros que não dei.

Permita que os sons que eu silencio te façam entender: é nas sombras que me deixo ver. Nas entrelinhas que me faço ler. Eu me mostro no avesso do meu ser.

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