Sobre a Vida

Raízes

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Sempre pensei ter a alma como aquelas árvores de copa grande. Que anseiam por tocar as nuvens e macular o azul do céu. Por fazer sombra em terrenos onde arde o sol.

Nunca pensei ser, ao invés, daquele outro tipo. De grandes raízes. Que precisam de espaço sob a terra para crescer. Que cavam. Escavam. Estouram asfaltos. Racham calçadas. E que, disso, dependem para se sustentarem. Para manterem-se em pé.

Talvez por isso precisei, sempre, plantar-me em terrenos tão longíquos. Onde teria a certeza de não machucar, com minhas raízes, aqueles ao meu redor. E nem quebrar as fundamentações daquilo construído em meu entorno. 

E hoje, entre cada leve brisa de liberdade que sopra em meus galhos, sinto o frio da solidão percorrer minha estirpe. Que, por mais longa que seja, ironicamente, não deixarão – nunca – de estarem distantes.

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Sobre a Vida

Sopro

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Querendo ser brisa, aprendi a devastar. Aprendi a sacudir as copas mais altas. E a arrancar as raízes mais profundas.

Sendo vendaval, aprendi a acalentar. Aprendi a secar lágrimas de desgosto. E a bagunçar os cabelos que emolduram sorrisos de um rosto.

Depois da estiagem, aprendi a ser vento. A correr entre os dias. A ser suave como podem, apenas, os intensos.

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