Sobre a Vida

Verbal

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Sou
e sujeito estou

ao medo que têm os verbos.

Aquele de morrer infinitivo.

Viver
e não poder
me conjugar.

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Sobre a Vida

Quando você se for

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Revivi algumas lembranças esquecidas de você. O cheiro da fruta no pé. O gosto da carne no pão. O puxar da vara de pescar. E o rádio de pilha dizendo “São Paulo campeão”.

Senti crescer, em meu peito, raízes de um medo que eu desconhecia, até então. Mais fortes e profundas que as das árvores do seu pomar. Raízes que só souberam me assustar. E, do outro lado do telefone, me fazer chorar.

Com medo da possibilidade de que o mundo possa perder, amanhã, a cor. E a vida um pouco daquele sabor. Com medo de ser seu fim o começo da minha dor. E do quão egoísta é pedir que meu coração esteja pronto quando você se for.

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Sobre a Vida

Pequenas Mortes

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Viver é uma sucessão de pequenas mortes. A alma morre silenciosa nas menores coisas. Um pouco a cada dia, ela morre insistentemente.

No horizonte, assistimos ao enterrar do sol. Com ele, vão-se os sonhos que as curtas longas horas do dia não tiveram braços para abraçar. Velam-se esperanças. Sepultam-se os amores que – se vivos continuassem – nos impediriam de respirar.

Muito perdemos pra poder ganhar. Não se anda pra frente sem, para trás, algo deixar.

Vida e morte tem essa relação. É intrínseca. Cruel. Humana e paradoxal. É como o mundo sabe fazer girar: morrendo hoje pra, amanhã, à vida voltar.

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