Sobre a Vida

Ela

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Ela costumava me encontrar durante a noite. Quando o corpo sucumbia. E a mente não dormia. Quando o silêncio era, já, ensurdecedor. E o peito se enchia de tremor.
Ela não costumava me causar terror. Envolta no escuro da noite, era uma presença quase irreal. Um veneno à alma. Amargo. Mas não letal.

Até que, ontem, ela me encontrou quando era dia. Quando eu vivia. E não previa.
Até que, ontem, me escancarou. Me encarou. Se apresentou. E me assustou.

Era a Solidão. Eu a reconhecia, mesmo pensando que não a conhecia.

Ela tinha a minha cara. Me consumia com os mesmos olhos que a encaravam. E me devorava com a mesma boca que a indagava.
Me calava com meu proprio silêncio. E entorpecia meu presente e meu futuro com a toxidade do meu próprio eu.

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Sobre a Vida

Já?

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Já viste como grande é a distância que te separa do céu? Como tortuoso é o caminho até o coração que hoje dorme colado ao teu?

Já fechaste os olhos e sentiste a escuridão invadir teu corpo? Cegar tua alma? Esvair teu coração? Já sentiste o mundo pesado demais pros teus ombros? Grande demais pro teu abraço? Impossível demais pros teus sonhos?

Já engasgaste em teu próprio desespero? Perdeste as palavras que outrora brotavam do teu peito? Já desesperançaste os caminhos todos sob teus pés?

Estancaste, já, o sangue dessas perguntas sem respostas? Ou ninaste, apenas, teus medos penados, vagantes à sombra daquilo que um dia pretendeste ser?

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