Sobre a Vida

E, que Vente

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Esta manhã, saí de casa desejando que ventasse.

Forte o bastante para bagunçar a certeza que penteava meus cabelos. Suave o bastante para soprar a poeira acumulada sobre minh’alma.
Forte o bastante para golpear meu rosto e girá-lo rumo ao norte. Suave para varrer as folhas que, no último outono, penso terem caído sobre meu coração.
Saí desejando que ventasse. Que ventilasse. Que, enfim, a vida se renovasse.
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Sobre a Vida

Chances

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Existirão pedras no caminho. Para, delas, eu desviar. Para, nelas, eu tropeçar.

Existirão flores no caminho. Para, delas, eu sentir o perfume. Para, nelas, eu espinhar os dedos das mãos.

Existirão choro e gozo. Poréns e tambéns. Desesperança. Perseverança.

Porque a vida é uma curva. E a água é turva. Não se vê o que vem a seguir. Nem o que está por emergir. Porque viver é cheio de nuances. Obriga-nos a ter as rédeas fora de alcance. Obriga-nos a crer, sempre, em novas chances.

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Sobre a Vida

Dois Mil e Quinze

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Vejo o sol iluminar uma grande estrada. Um longo caminho que toma o horizonte e esconde, da segurança de minhas retinas, seu ponto final.

Coloco expectativas na mala. E a deixo esquecida, perdida em devaneios, na linha de partida. Porque quero caminhar leve. Colher flores pelo caminho. Quero tudo que não caiba em minhas mãos. Tudo que preencha e transborde meu coração.

Lavo a alma com as lágrimas que inevitáveis serão. Parto em busca de um norte, guiado pelo brilho dos meus olhos, que iluminam o caminho como um grande farol.

Assim, para o longe, eu vou. Com a resiliência adquirida por esses pés. A bravura inconsciente desse peito. Com a coragem e a gana dessa inabalável fé.

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Sobre a Vida

Dois mil e quatorze

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Que 2014 seja uma grande folha em branco. Sem pauta. Sem margem. Sem expectativas. Sem nada.

Uma folha onde você decida o que escrever. E como escrever. Decida o que quer ser. Uma folha onde você escolha que caneta usar (da cor que seu coração mandar). Onde você sinta-se livre sobre como se orientar. E escreva de lado. De pé. De atravessado.

Que 2014 seja uma imensa folha em branco. Onde caiba um poema despretensiosamente rimado. Um coração, ao rodapé da folha, rabiscado. Onde caiba tudo que, no seu peito, ainda está engasgado.

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Correnteza

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Se posso comparar minha vida a um rio, posso dizer que 2012 foi a sua correnteza. Levou alguns galhos que boiavam na superfície e desenroscou alguns anzóis que, há muito, estavam presos nas pedras mais fundas.

2012 foi a correnteza que limpou o meu rio e renovou as minhas águas. Pouca coisa ficou intacta. Apenas aquelas enraizadas suficientemente bem para resistir à ação inerente à vida. A de forçar as coisas a passarem.

2012 foi a correnteza desse rio. Se meus olhos desaperceberam sua força, o meu corpo…  Esse ficou com aquela sensação tardia da água batendo contra a pele. Com aquela sensação de ser impulsionado para a frente mesmo sem sair muito do lugar.

Que o próximo ano também seja correnteza. E mais forte. Porque alguns entulhos ainda estão parados. Alguns galhos ainda estão atravessados. E algumas coisas lindas estão ali, atrás da curva, esperando para chegar à minha vista.

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