Sobre a Vida

Alforria

 

ncnc_alforria

Presos pelas amarras da insegurança, meus pés eram reféns da necessidade de caminhar em linha reta. Tinham e sentiam a obrigação de manter meu corpo num caminho onde errar não era opção.

Um caminho sempre direito e, tantas vezes, tão estreito, que sequer comportava o desejo de seguir em frente. De abrir os braços e sentir o correr da estrada sob eles. Um caminho minguado, e tão delgado, que abafava aquilo que, desafinado, cantava meu coração.

Até o dia em que uma curva me arrebatou. Me desamarrou. E me libertou a alma. Até o dia em que abracei meus erros e julguei bonitos os traços mais feios de quem eu sou. Até o dia em que escancarei os braços e senti o balanço de cada curva de cada novo caminho.

Agora, livre da obrigação de estar sempre certo, sei que ciclos não são construídos se caminharmos apenas em linha reta. Devemos nos curvar às mais diferentes direções. Porque quando o vento bate forte no sentido contrário do corpo, ele sopra a favor da alma.

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