Sobre a Vida

Mergulho

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Um sinuoso caminho. De chão irregular e cascalhento. A vida sempre foi essa via estreita à beira do precipício.

À margem da queda, carregando o peso do meu próprio mundo nos ombros, equilibrei-me por muito. Cego pela sombra daquilo que crescia na lombar, permiti atirar tudo no abismo que acompanhava o meu já cansado caminhar.

Fui fundo. Fui de peito aberto ao encontro do mar revolto que lá existia. Das águas que me continham. E que eu não as  pude conter.

Afoguei-me, consciente, no frio oceano dos meus medos. Desci às profundezas mais escuras de mim. Deixei-me sufocar nos momentos em que não pude respirar. Descobri outros músculos do meu corpo quando o bater desesperado das minhas pernas não me tiraram do lugar. Vi o que havia sob as ondas que arrebentavam em meus rochedos. Nadei contra a ressaca da minha alma.

Aprendi, ao entorpecer-me novamente da superfície, sobre a importância de perder o ar. De saber se afogar para, de novo, respirar.

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2 comentários sobre “Mergulho

  1. Vera disse:

    Sempre usei os termos escafandro, escafandrista. Assim, defini e defino, ainda, a mim mesma. E acabo de ver essa imagem, e daí, vim buscar…Que lindo! Obrigada.

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