Sobre a Vida, Sobre o Coração

Vazio

33-vazio

Há muito, fechei-me. Fiz casar chaves e fechaduras em minhas muitas portas. Fiz beijar ambas as bandas das cortinas em minhas muitas janelas. Fiz correr livre, dentro de mim – alheio ao externo – o calmo vento do vazio.

E correu. Bêbado de espaço. Como quis. Quando quis. Pra onde quis.

Há não-tão-muito, sufoquei-me. Vi esse vento escorrer pelas quinas do meu peito e ocupar as rachaduras deixadas pelo tempo. Vi seu varrer no mais raso e no mais profundo dos vincos do meu chão. Senti seu espalhar.

Dei asas a esse vazio que me inundou. Sem limites, como uma enchente do avesso. Que me alagou de seco. Que deu ao nada o espaço do tudo. E ao tudo um espaço de nada.

Erroneamente, permiti que o vento me ocupasse e me deixasse aqui: empanturrado de vazio. Farto de nada. Faminto por tudo.

Anúncios
Padrão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s