Sobre o Coração

O Vaso

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Havia um vaso ao centro-pra-esquerda daquela mesa. Não era de cristal. Não chegava a tal nobreza. Mas era tão frágil quanto. Tão delicado quanto. Precioso quanto.

Mas vivia vazio. Algumas flores até foram colocadas em seu interior. Afinal, ele precisava de flores. Precisava ter sua existência justificada. Nenhum buquê durou. E não falo da perecividade própria a cada espécie que por lá visitou. Falo de uma morte datada em 5 semanas. Mais ou menos.

Morte que minou o frescor das flores do campo da primavera de 2010. Minou a delicadeza das margaridas do verão de 2011. Minou a beleza que parecia – dessa vez – não ter fim das rosas da semana passada.

O vaso encontrou, entre as garfadas de um jantar-qualquer de uma quarta-feira-qualquer, espaço para tornar-se assunto. A família discutia como aquele era um vaso que nascera pra ser vazio. Pra ser sozinho.

Até que a avó, que em momentos de refeição só falava para reclamar da falta de sal da comida (seu coração vivera anos sob pressão alta), se pronunciou sem ao menos levantar os olhos do pequeno prato a sua frente: “Há vasos que nasceram para abrigar flores para sempre. Esse tem outra sina: será florido a vida toda. Por 5 semanas, apenas”

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2 comentários sobre “O Vaso

  1. Pingback: Papel e Tudo » O Vaso

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